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  TEATRO

Em 1980, em Lisboa, fundou o grupo Íbis. Em 1981 estreou o espectáculo Drama em Gente: exposição teatral sobre Fernando Pessoa, de que fez a dramaturgia e a encenação, e em que participou como actor; ganhou com este espectáculo o Prémio Revelação 1981 da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro.

  “Caramba! não pode ser! Certamente sonhei! Um espectáculo revolucionário (...), saudavelmente provocatório, emocionante sem deixar de arrancar algumas boas gargalhadas (...), cheio de imaginação (...). Um espectáculo que se segue e que se assume como uma experiência vital que não poderá deixar de ser inesquecível.”
Carlos Porto, sobre Drama em Gente


“Perfeito saber e sensibilidade (...), poderosas imagens, macroenquadramentos. Teatro? Sim e não. Cinema? Não e sim. Poesia? Está lá toda a solidariedade com a poesia, mas não em forma de recital duma colagem banal. Então o quê? Um espectáculo, felizmente, sem nome, um artefacto manual, um objecto artístico off das vias batidas. (...) Espectáculo sobre a cultura? Evidentemente. Contudo, produz valores próprios, normativos, musicais no sentido mais nobre e mais raro da palavra, estéticos. (...) O prazer de uma nova teatralidade.”
Jorge Listopad, sobre Drama em Gente
 

Em 1983 apresentou Poemas a Piaf (com textos de Jorge de Sena e canções de Edith Piaf), onde trabalhou igualmente como dramaturgista, encenador e actor.

Em 1984, ainda com o Íbis, encenou Sonata, de Yannis Ritsos, que apresentou na Fábrica de Cerâmica Lusitânia, em Lisboa, e na IV SITU, em Coimbra.

  "Espectáculo perfeito na antiga Fábrica Lusitânia (...) Um espectáculo fascinante e rico (...) Brilhante a opção de Paulo Filipe, no seu melhor e mais sensível trabalho (...). Algo de tocante e profundamente sentido. Um dos melhores espectáculos do ano.” Tito Lívio, sobre Sonata

“Um teatro íntimo, oficiante, clandestino de poesia (...), um espectáculo raro (...) A cultura teatral e o gosto que a Sonata respira são devidos sobretudo ao encenador.” Jorge Listopad, sobre Sonata
 


Em 1985, dirigiu a leitura encenada de peça Meio Dia, de Luís Figueiredo Tomé, na Sociedade Portuguesa de Autores.

  “O encenador jogou de uma forma quase cinematográfica com a luz, povoando o espaço de uma forma significativa, conferindo densidade a cada passagem”
Tito Lívio, sobre Meio-Dia

“Um aproveitamento muito inteligente do espaço, a marcação do ritmo certo para o texto e excelente direcção da actriz”
Carlos Porto, sobre Meio-Dia

“A encenação de Paulo Filipe explorou outras possibilidades do espaço com engenho espectacular que pressupõe profundo entendimento da peça, (...) gizou a visualidade de Meio Dia com a volúpia do sonho e o cru da realidade.”
Mário Sério, sobre Meio-Dia
 

Em 1985 também traduziu a peça A Noite das Tríbades, de Peer Olov Enquist, que foi apresentada no Teatro da Trindade com encenação de Fernanda Lapa.

Ainda em 1985, foi assistente de encenação do argentino Ricardo Marques na peça Embalagem Perdida, de Vera Feyder, no Instituto Franco-Português, posteriormente emitida na RTP2.

Em 1986 encenou para o CITAC Crime na Catedral, de T.S. Eliot, com tradução sua; o espectáculo estreou no Convento de Santa Clara a Velha, em Coimbra, apresentando-se seguidamente no Porto (no âmbito do FITEI) e em vários outros pontos do país.

  “Uma grande ópera, um teatro total (...), jogando com a tensão entre a modernidade e o classicismo”
A Capital, sobre Crime na Catedral
 

Em Dezembro de 1987 encenou para o Íbis A Espuma dos Dias, segundo tradução e adaptação suas do romance homónimo de Boris Vian.

  “Constate-se a importância deste trabalho laboratorial para a procura de novas linguagens cénicas (...) Os actores alcançam uma justeza de tom, trabalho de corpo e um ritmo de representação a todos os títulos assinaláveis.”
Eugénia Vasques, sobre A Espuma dos Dias

“Excelente metamorfose, salto hábil desenhado do romance para o palco (...), uso hábil e dinâmico do espaço disponível, ritmo, muitíssimo bem engendrada banda sonora, coesão dos comediantes. O espectáculo flui muito naturalmente do espaço cénico para a plateia, comunica-se e comunica.”
Fernando Midões, sobre A Espuma dos Dias


“Uma nova forma de contar histórias de amor e morte; originais maneiras de as representar (...) Criatividade no desempenho e nas soluções cénicas (...) Um triunfo bem merecido”
Paula Alexandre, sobre A Espuma dos Dias

“Paulo Filipe conseguiu resolver os problemas postos pela adaptação do romance, que surge verdadeiramente dramatizado e não como narração, ao mesmo tempo que conseguiu exprimir a sua simplicidade em termos igualmente simples, mas não sem rigor. (...) Excelente banda sonora (...) Forte poder comunicativo.”
Carlos Porto, sobre A Espuma dos Dias

 


Em Junho de 1990 traduziu, adaptou e encenou a peça Rei Lear, de William Shakespeare, também para a Oficina Municipal de Teatro de Oeiras.

Em Novembro de 1997, estreou Artaud-Estúdio, com textos de Antonin Artaud, Sófocles, Shakespeare, Baudelaire, Nerval, Fernando Pessoa e Ângelo de Lima, de que fez a dramaturgia e encenação, no Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian.

  “Quem julgava Artaud morto e enterrado (...) desengane-se. A recente proposta levada à cena por Paulo Filipe vem demonstrar que há ainda vertentes em aberto e por explorar.”
Rui Cintra, sobre Artaud-Estúdio

“Espectáculo produzido com grande cuidado (...) De todos os projectos possíveis, Artaud-Estúdio é o que mais se aproxima da agonia clínica de cunho patológico. (...) Os artaudianos são exigentes. O projecto idem. E daqui nasce o verdadeiro mérito de Paulo Filipe e dos seus colaboradores: enfrentar o impossível da “primeira eternidade” com coragem e perseverança raras.”
Jorge Listopad, sobre Artaud-Estúdio

“Brilhante colagem dos melhores momentos do teatro europeu dos últimos 2500 anos. Os mesmos que Antonin Artaud, presumivelmente, escolheria para mostrar algumas das imagens que suportam as suas ideias fundadoras do teatro da crueldade. Um dos melhores espectáculos da “rentrée”, um desfile de grandes actores.”
Público , sobre Artaud-Estúdio

“Um excelente objecto de análise e fruição (...), extremamente singular e exigente. (...) É da energia, da energia dos actores, das particularidades identificadoras das suas vozes e corpos que evola a metafórica “crueldade”.”
Eugénia Vasques, sobre Artaud-Estúdio

“Quem não viu perdeu algumas das grandes “performances” duma temporada onde esta produção brilha com raro fulgor.”
Manuel João Gomes, sobre Artaud-Estúdio

“Um brilhante trabalho de actores (com destaque para António Rama e Isabel Ruth)”

Pedro Dias de Almeida, Visão, sobre Artaud Estúdio

 

Em Dezembro de 1998, estreou Cair em Si, com textos seus e uma cena de Hamlet, com alunos do Balleteatro Escola Profissional, do Porto.

Em Novembro de 1999, estreou Área de Risco, o seu primeiro original para teatro, tendo também feito a encenação e sido um dos actores, no Serviço ACARTE da Fundação Calouste Gulbenkian.

  “Um espectáculo com muitos momentos de grande beleza.”
Mário Rocha, sobre Área de Risco

“Um espectáculo inesperadamente bem disposto, desmistificador (…) No meio do caos – di-lo o humor desconcertante de Isabel Ruth – há sempre alguma felicidade. Por exemplo: as revelações e/ou confirmações de jovens actores”.
Manuel João Gomes, sobre Área de Risco

 

De 18 de Fevereiro a 6 de Março de 2000, com um subsídio da Fundação Calouste Gulbenkian, esteve em Wuppertal, na Alemanha, a acompanhar o trabalho da fundadora do Tanztheater, Pina Bausch. Foi uma oportunidade, raramente concedida a um observador externo, para acompanhar diariamente, durante quase três semanas, o trabalho da Companhia, que nesse período se desdobrou em três espectáculos diferentes. Pôde também visionar muitos vídeos de trabalhos anteriores (quase todos apenas existentes nos arquivos do Tanztheater) e consultar os jornais e artigos que estão arquivados no Schauspielhaus, tendo fotocopiado volumosa bibliografia. Estabeleceu ainda contactos com o Director do Departamento de Comunicação e Design da Universidade de Wuppertal.

Em Setembro de 2000, apresentou no Instituto Franco-Português O Coração na Boca, dramaturgia sua a partir de cartas de James Joyce, Virginia Wolf, Katherine Mansfield, Kafka, Karl Marx, Rosa Luxemburgo, Bernard Shaw e Mrs. Patrick Campbell, Heloísa, Condessa du Barry, Eça, Cesariny, Mécia e Jorge de Sena, A. Estrella, Graciliano Ramos, Gabriela Mistral, Neruda, Musset, Sartre, Beauvoir, Artaud e Van Gogh, e ainda a partir de canções de G. Paisiello, Luiz de Freitas Branco, José Afonso, A. C. Jobim, Chico Buarque, Vinicius de Morais, Boris Vian e Alain Goraguer, Jacques Brel, Fred Chichin e C. Ringer, D. Elfman, Burke e Van Heusen, Kurt Weil e Ogden Nash, Cole Porter, Hanslang e Reisfeld, P. J. Harvey, Nick Cave e Bruno Pisek. O espectáculo foi posteriormente levado ao Teatro Gil Vicente, de Coimbra.

Fez a tradução, dramaturgia e encenação (e colaborou na cenografia) de Abaixo da Cintura, de Richard Dresser, apresentado no Centro Cultural de Belém em Maio de 2001 e no Teatro Gil Vicente, de Coimbra, e Teatro Viriato, de Viseu, em Junho do mesmo ano. Co-realizou e co-montou uma versão vídeo do espectáculo, que foi emitida pela RTP2 e RTP Internacional.

  “Paulo Filipe (…) tem vindo a adquirir uma segurança crescente na encenação.”
João Carneiro, sobre Abaixo da Cintura

“Abaixo da Cintura é onde se esconde a masculinidade e é onde se dão os golpes mais baixos em combate.  É este combate entre o transparente e o oculto, entre a amizade e a facada nas costas que a peça retrata com verdadeira mestria, pelo tratamento dado à ambiguidade transmitida. O texto é muito bom. Os actores não falham."
Mafalda Santos


 

Encenou a peça Rastos, de António Ferreira, produzida e apresentada pelo Teatro Aberto entre Março e Maio de 2002.


Em Março de 2006, fez a pesquisa, dramaturgia e encenação de Tanto Mar, com poesia de autores de Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe e música de Laurent Filipe, que ao vivo o acompanhou juntamente com Carla Galvão e Rui Luís Pereira. Contou ainda com vídeos de Nuno Rebelo. Foi apresentado no Centro de Artes do Espectáculo da Figueira da Foz. Uma nova versão, com o título O Navio de Sal e com apoio coreográfico de Amélia Bentes, foi apresentada a 26 e 31 de Março e 1 e 2 de Abril no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 2006/2007, fez o apoio à dramaturgia e encenação do espectáculo de dança Kaminari: o caminho do trovão, coreografado por César Moniz. Foi apresentado no Auditório Eunice Muñoz, em Oeiras, a 10 de Março de 2007.

Fez o apoio vocal ao espectáculo de dança Ego Skin, coreografado por Amélia Bentes com a colaboração de António Jorges Gonçalves, Cláudio Hochman e Lia Rodrigues. Foi apresentado no Centro Cultural de Belém a 16 e 17 de Março de 2007.