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  TELEVISÃO

Foi autor do guião da série televisiva A Viúva do Enforcado, adaptada da novela homónima de Camilo Castelo Branco, e autor dos respectivos diálogos; a série foi apresentada pela SIC, pela primeira vez, entre Janeiro e Abril de 1993

 

A Viúva do Enforcado: penso que se está perante (…) uma dessas adaptações, ao mesmo tempo inteligentes e fiéis, cuja estratégia ficcional sabe restituir-nos, com uma impressionante precisão, as intenções, talvez dizendo melhor, as virtualidades, as atmosferas e por vezes até as inflexões do texto original. (...) Uma grande inteligência de leitura permitiu, no respeito expresso das intenções de Camilo Castelo Branco, reestruturar alguns eixos de condução do enredo e dar uma dimensão humana a personagens que o romancista quase só tinha esboçado. (...) Aliás, é notável a forma como os diálogos recuperam tudo o que é possível extrair da linguagem camiliana, respeitando as suas indicações de modos frásicos, de gírias saborosas e de populismos enraizados, mesmo quando são topados no discurso indirecto, e vertendo sem violência para as falas das personagens a naturalidade prodigiosa da escrita do homem de S. Miguel de Seide.”
Vasco Graça Moura, sobre A Viúva do Enforcado



“Quando nos chega um romance de Camilo em cenas escolhidas e linguagem clara, damo-nos por abençoados. A Viúva do Enforcado tem o mérito de não trair o autor nem os personagens. (...) Eu regalo-me a ver, e Camilo também havia de gostar.”
Agustina Bessa-Luís, sobre A Viúva do Enforcado



“As palavras exactas para definir este trabalho são os seguintes adjectivos: magnífico, perfeito, genial, sublime. (...) Quando as personagens abrem a boca e falam, tudo sabe a verdade. Culpa, antes de mais, da simplicidade requintada dos diálogos (Paulo Filipe é o nome a fixar).”

Inês Pedrosa, sobre A Viúva do Enforcado

 

 

 

Foi autor do texto (dito por Luís Miguel Cintra) do documentário E Depois de Abril... (História do Cinema Português, 1974-1984), realizado por Jorge Paixão da Costa para a RTP em 1999

Foi co-autor, com João Mário Grilo, dos guiões dos três telefilmes da série Crimes Portugueses, produzidos por Paulo Branco e exibidos pela RTP em Janeiro de 2002: As Contas do Morto, realizado por Rita Nunes, 451 Forte, realizado por João Mário Grilo, e A Hora da Morte, adaptado e realizado por José Nascimento

 

"A Hora da Morte" (morte que é também a do regime) é um filme onde a parábola política e a reflexão social coexistem de modo admirável com o prazer de contar uma história. (…) Os dois pólos entre os quais balança podem muito bem ser o eco da tragédia clássica e as "short stories" para televisão de Alfred Hitchcock, a impotência das vontades humanas e a sua mordazmente cínica revisão.”
Vasco Câmara, sobre A Hora da Morte